A ordem dos fatores não altera o produto. Essa sentença só serve na matemática. Na vida é bem diferente. Nas relações principalmente.Somos reprovados todos os dias quando fechamos nossa contabilidade relacional. Ficamos devendo. A conta não fecha. É uma grosseria ali, uma intolerância aqui, e tudo vezes o egoísmo, noves fora...zero. Zero compreensão, zero amor, zero cuidado. O coração sempre no vermelho. Mas até quando?Uns vinte anos atrás eu estudava geografia na escola e o Brasil era pra lá da quinquagésima posição no hanking da economia mundial, e hoje é a sexta economia do mundo. Será que aprendemos a fazer essas contas? Ou os computadores é que facilitaram esse desenvolvimento? Mas e nas relações? No dia a dia um com o outro? O movimento de relacionamento virtual vai nos ajudar? Acho que não. Desaprendemos o que nem sabemos: ouvir. Não sabemos ouvir. Não ouvimos nossos pais, nossos professores,e nem os mais velhos. Não ouvimos nossa respiração, não ouvimos nosso corpo, nem nossos pensamentos. Não fomos educados pra isso. É muito mais fácil ouvir música estrangeira, se embalar pela melodia, se deixar levar pelo movimento e falar sem parar...o infinito do universo que nos escute...ecoando no buraco negro vazio. Mas então pra que servem as palavras? Estou fora do meu país, conversando com italianos em inglês...oi? Isso me incomoda. Quando Roma era o centro do mundo e foi além de suas fronteiras, nasceram essas tantas linguas do latim: o italiano, o francês, o espanhol, o português, tudo da mesma origem...e hoje em pleno século XXI, é no inglês que a gente se vira. Isso me revolta. Nunca gostei muito do inglês porque sempre achei uma lingua pobre, ela não alcança os meus sentimentos, ela é muito pouco pra mim. Mas hoje está sendo preciosa, já que aqui, meus sentimentos não importam muito pra ninguém, nada de profundidade sentimental na comunicação, vamos ao básico pra sobreviver. Por isso esses meus primeiros dias na Itália foram tão sofridos, principiante nas relações sempre. Não saio da primeira série nunca...vislumbro um ginásio sentimental, mas ele me parece bem distante.
Eu poderia discorrer o assunto falando das diferenças gritantes entre homens e mulheres, e suas linguas próprias, mas vou deixar pra um próximo post. Hoje me resumo a entender que o começo é tentar sobreviver sem desistir do outro, mesmo sem entender nada do ele fala, e nem tenha ouvidos para ouvir, pois EU não tenho ouvidos para ouvir. Não tenho,assumo, estou desenvolvendo o meu, e às duras penas. Agora se o outro tem ouvidos? É, alguns. Tive a sorte de conhecer dois deles por aqui. Poderia dizer que encontrei seus ouvidos atentos pelos olhos...eles me viram e pelos seus olhos me ouviram, e me salvaram de morrer sem ser compreendida. Então o que vem primeiro? Ver para ouvir? Ou ouvir pra ver? Não sei. Estou desaprendendo tudo que pensei saber sobre isso. Mais uma vez essa primeira série que me gonga, mas tudo bem, até agora eu sobrevivi. Quanto aos tratores, esses que derrubam estruturas, e carregam pedras, esses precisam ser colocados em ordem sim. Senão, vamos caminhando ser saber pra onde as placas nos levam porque os viadutos ao invés de serem construidos para nos levar a algum lugar, se tornarão praças redondas e suspensas que nos farão rodar, rodar, rodar, sem saber onde é a saída pra se relacionar. Eu me perco sempre nessas estradas, tenho de sair de casa antes, para não chegar atrasada.Nem me arrisco mais a pedir informações no caminho.E também não confio muito em GPS, ele mente. Relacionar com máquinas dá nisso, desenvolvemos números que nos fazem crescer, caminhar, construir, produzir....mas e amar? Onde fica esse verbo? Hein? Pode falar mais alto? Eu não estou ouvindo...
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