domingo, 15 de julho de 2012

Desabafando meu mau humor...

Sinceramente, acho que a pior sensação do mundo não é a fome, o calor, a sede, a dor, a falta de grana, acho que a pior sensação é estar em lugar, querendo estar em outro. Isso é terrivel. Eu nunca sonhei na minha vida em conhecer a Itália. Fiquei mega feliz quando fui aceita pela Escola Potlach de Teatro pra estudar por um mês. Melhor ainda por poder participar de um festival intercultural de práticas teatrais. O universo quis, e eu estou aqui. Mas querendo voltar correndo pra casa. Nunca entendi tanto o E. T. querendo ligar pra casa...nenhum lugar do mundo é como a nossa casa. Existe todo um glamour de estar no velho continente. Visitei um castelo medieval de 1000 anos e confesso que fiquei encantada! É incrível imaginar que alguém construiu aquele castelo e ele permanece lá por tanto tempo. O Brasil só tem 500 anos, e nenhuma construção desse nível. Durante o festival, participamos de workshops com uma indiana,  uma japonesa, e o velho sem barba, o Barba. O oriente é especial, porque tem inserido na sua cultura o sagrado, o ritual, o espirito e o corpo, tudo junto. Fiquei me perguntando onde nós, os ocidentais nos perdemos nessa dicotomia. Maltratamos nosso corpo, não reconhecemos essa unidade. O mundo natural começa no espiritual, e onde fica essa ponte? O Brasil é cheio de religiosidade, possuimos várias maneiras de ritualizar as coisas, mas chegamos onde mesmo? Ah é, na escola aprendemos que fomos descobertos na tentativa de se chegar a Índia...mas o pessoal se perdeu...e nossos nativos se chamam "índios"...ai que comédia!Esse povo perdido, nos ensinou o cristianismo, a escravidão, a exploração. Mesmo assim, o Brasil é um lugar especial. Na luta pela sobrevivência, formamos a cultura da mistura. Tudo que chega é bem vindo, mas tudo tem seu preço. Nossa arte é o que? Samba? Carnaval? A festa do Boi? Do norte a sul, temos festas, celebramos a vida o ano inteiro. Celebramos mesmo? Acho que não. É só cultural. A ponte não foi feita, o sagrado não chega. O que é sagrado no Brasil? Nada. Tudo é profano, a corrupção habita no gene que há em nós e se chama...jeitinho brasileiro. Não respeitamos leis, não sabemos ouvir nãos, somos uma cultura corrompida. Pagou, levou. Levou nosso ouro, nosso aço, nossas meninas, nossos meninos, nosso suor, nosso sagrado. Mas vamos fazendo festa, que assim distrai a dor.
É, as nossas festas são sagradas, mas não no sentido de intocáveis, e separadas, são sagradas no sentido de escape mesmo. Um fulgás refrigério. Ai, como isso tudo me irrita. Eu acabo me rejeitando dentro da minha própria cultura. Queria estar no Brasil, e não ser brasileira, essa é a pior sensação do mundo. E pode isso Arnaldo???? Tudo bem Manuela, UH! Aceita! Aceita essa ponte entre o natural e espiritual que está dentro de nós. Pra mim, ela se chama fé. Ela está nos rituais sagrados/artísticos indianos, japoneses, iranianos,americanos, brasileiros,africanos e todos os demais. De alguma forma todo mundo precisa crê nessa ponte, nesse caminho que nos completa, nos faz sentir que estamos exatamente onde devemos estar : dentro da gente. Estar fora de nós também é um caminho, também é uma escolha, que precisei atravessar um oceano pra reconhecer a partir de agora respeitar. Me respeitar. Saio de mim tantas vezes que minha vida tem sido voltar. Voltar pro eixo, voltar pra base, voltar pro equilibrio, voltar pro espírito, voltar pro sagrado. Pro meu sagrado.|Apesar de nunca ter sonhado em estar aqui, levo como uma rica experiência essa viagem. Foi bom ter aprendido pelo oriente a aceitar o ocidente. Girar no eixo, andar no eixo, respirar no eixo, subir e descer no eixo.  Há um sagrado de cima pra baixo que nos alcança sim. Esse horizontal de culturas sempre termina em uma cruz. Obrigada por tudo Jesus. Agora, eu só quero é voltar pra casa.

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