O batismo pra mim foi uma salvação literal. A frase que habitava no meu coração quando conheci Jesus, era de um coração tão amargurado que eu só pensava em " Se eu pudesse, eu morria e nascia de novo." Minha vida estava sem sentido, eu estava deprimida. Fui ao meu batismo sozinha, no dia 9 de dezembro de 1995. Era um sábado cedinho, e depois eu iria trabalhar. Minha mãe não quis, mas eu não me importava, eu acreditava que era minha chance de renascer, havia uma esperança ínfima no meu coração sofrido, agora de acreditar no amor de Jesus. Ele estava lá. Foi lindo e emocionante, o pastor que me via chorando muito me disse que eu seria uma grande obreira.
Novembro de 2003, 8 anos depois ,tinha acabado de conhecer Maria na delegacia, e na reunião de segunda, descobri que ela estava indo a igreja, e que iria se batizar no sábado seguinte. E lá estava eu, sábado cedo em uma Igreja Universal no bairro do Independência, tipo uma Paciência do Rio de Janeiro de distância. Uma comunidade simples, muito familiar. Os filhos de Deus são humildes e simples, o evangelho também. Na lateral da igreja foi montada uma piscina Tony quadrada com água até um pouco mais da metade. Era na garagem da casa. Havia umas 50 pessoas. Umas 10 pessoas se batizando e o restante membros e familiares. Estava um dia lindo, aquele céu azul de Belo Horizonte que nunca mais vi no mundo. Os hinos eram os mesmos da minha época, e eu ouvia a voz de Deus clara no meu coração. "Ela precisa de você, foi pra isso que te trouxe pra BH. Você vai discipula- lá, e lhe ensinar tudo o que você sabe sobre Mim na Minha Palavra." - Pô Jesus, eu vim pra BH pra isso? E só agora eu descubro? E eu vou dar conta de fazer isso?" . No meio da minha DR com Deus, Maria se batizou, desceu as águas e nasceu de novo. Zerada, pronta pra escrever uma nova história, e era eu que deveria lhe ajudar com a base.
Com fé e obediência, lá fui eu. Ela brilhava, estava feliz e leve. Ela não se sentia mais sozinha, mesmo sem sua mãe estar lá, como a minha também não estava no meu batismo. Mas tínhamos o maior amor que poderíamos querer, o de Deus, só o que bastava. Ele dali em diante ia estar conduzindo nossa amizade e vida de uma maneira milagrosa e inacreditável, se não estivessemos falando de fé, seria mesmo inacreditável, mas o impossível é especialidade do nosso Deus, e tudo foi tão verdade que eu estou escrevendo.
Passamos a nos encontrar semanalmente na minha casa. Ela me ajudava na faxina e no final do expediente, sentavamos na sala, e ficavamos até tarde esperando meu noivo chegar estudando bíblia, ouvindo louvores e conhecendo a Deus. Ele era sedenta. Precisava saber que amor era aquele que dizia não deixá- la tão orfã. E na mesma dor de ser órfãs, choramos juntas para sermos amadas por Deus. Oramos no jardim secreto.
E Ele não nos deixou sozinhas.
Pra selar esse renascimento, assim que casei no papel com o irmão dela, entramos em uma loja de tatuagem, e ela tatuou Jesus na perna, igual o meu, mas em Hebraico. Ela era de menor, e eu assinei como tutora sem medo de ser feliz e abusada. A tatoo ficou linda. Na verdade, uma profecia que vai se revelar nos próximos capítulos. Quase me divorciei, meu marido ficou revoltado, queria colocar emplasto sabiá na tatuagem, mas não tinha mais jeito. Estávamos unidas, para sempre, na dor, na coragem, no amor a Jesus, que não ia sair nunca mais de nós. Ele perdoou, e a tatuagem ficou.
Deus é Fiel. E como era lindo aquele jardim.
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