Filha,feminina,escritora,mulher,amiga, divorciada, atriz, professora de teatro, ariana, curiosa e abusada. Adepta à tristezas e depressões. Gente sempre muito feliz é chato e nada humano.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Capitulo 1 - Delegacia
Era final de dia de um sábado. Eu já morava em BH havia mais de um ano, estava noiva. Nesse momento estava em Contagem dentro da Leroy Merlin comprando coisas para casa, e o telefone do meu noivo toca, na hora seu rosto fica vermelho e ele altera a voz. " Maria fugiu de casa? De novo?".
Maria era irmã caçula dele, tinha quinze anos e desde que a mãe deles havia morrido, ela era ovelha negra da familia. Por providência divina, uma semana antes, ele havia conversado comigo sobre ela. e sua frase final era: Maria não tem jeito!- engoli.
Ele esbravejava no telefone, disse que ia resolver quando chegasse no Independencia e que Maria ia tomar uma surra!- gelei.
Assim conheci a familia do meu noivo. Chegamos na casa da tia dele, a culpa do sumiço era um tal de Marta Rocha, namorado de Maria. Havia uma carta dela também. Ninguém quis saber da carta. Tios e primos queriam matar Marta Rocha. A busca começou, fomos a casa do rapaz. Ele também não estava, todos falavam tão alto e ameaçavam matar e bater que o bairro inteiro começou a se mobilizar pra achar os dois. Acharam o Marta Rocha. Um rapaz franzino, de corte de cabelo engraçado que parecia um desenho animado, assustado e suando em bicas. Como ele não dizia onde estava a Maria, levaram- no para a delegacia. A porta da delegacia já estava cheia. O bairro inteiro queria ver sangue e morte de gente inocente.
Eu não dava uma palavra, queria entender porque aquela menina causava tantos problemas. Até que na porta da delegacia se ouviu: " Olha ali a Maria chegando". Era um menina bonita, com um casaco azul do Cruzeiro, calça preta, chinelos, cabelos pretos amarrados em um coque muito grande e olhos de quem passou uma vida chorando. Ela tinha ido salvar Marta Rocha que ia ser preso por ser de maior e ela de menor. Meu noivo não falava, só gritava. ele queria leva-la embora para a casa da avó de qualquer jeito, e ela chorava dizendo que pra lá não ia nem morta. Quando ele ameaçou pega -la pelos ombros e carrega - la embora eu resolvi me meter. Chamei a em um canto da porta da delegacia e me apresentei. " Sou a noiva do seu irmão". Ela só chorava, não olhou pra mim. Tentei acalma -la e perguntei a ela um coisa apenas. " Maria, você pode não acreditar, mas eu consigo tudo do seu irmão. o que você quer Maria? " - Ela olhou pra mim assustada. Eu falei com muita convicção. Olhos arregalados e chorando muito, vi que ela estava sozinha, e que ninguém a ouvia, ou no mínimo, ninguém queria ouvi-la de fato, qual seria a sua real vontade. Ela me ouviu, e respondeu:" Eu quero ir pra casa da Suzana, não quero ir pra minha avó." Não perguntei nem quem era Suzana, apenas fui conversar com meu noivo. Pelo poder da sabedoria, e palavras mansas ( milagre de Deus na minha pessoa em situações extremas), consegui acalmar meu noivo e convencê -lo a fazer o que Maria queria, já estava tarde, era melhor todo mundo se acalmar e teríamos uma conversa na segunda feira. Ele por um milagre de Deus( toda honra e glória ao Senhor) ele topou. Maria que esperava chorando, nem acreditou quando cheguei com a notícia. Pronto! Ela poderia parar de chorar, e me abraçou.Foi pra casa da moça, a delegacia se esvaziou, eu fui pra casa com meu noivo em paz.
Eu, que ia começar uma família, sei que ali, naquele abraço eu ganhei uma irmã pra vida inteira. Irmã, por parte de Pai, porque mesmo na delegacia, Deus nos uniu.
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